sexta-feira, 31 de agosto de 2012

ESTACA ZERO

                                                          a onda, de Victor Hugo

À procura de um texto encontro um documento que julgava perdido, onde havia compilado uma boa tarde das entradas de um diário irregularíssimo que comecei a escrever em 2005, desde que cheguei a Moçambique. Este documento, que se chama Estaca Zero, reune apontamentos até Janeiro de 2008. Não tenho a certeza se as datas conferem, teria de confirmar nos cadernos. Aqui deixo as últimas páginas desse documento, com 110 páginas.

1 de Julho de 2007
Será hoje publicado no Expresso o texto polémico sobre recepção de poesia que enviei há umas três semanas:

 « SOMBRAS DA MERIDIANA CLAREZA»

Um poeta faz 25 anos de edição e realiza uma antologia pessoal. Profusa, como de resto a sua obra, expõe linhas de força, núcleos temáticos, plasmados com vitalidade, fôlego e um ecletismo de processos descoroçoante. São 25 anos de trabalho, de uma dedicação exclusiva. Não importa aqui situar o poeta em qualquer ranking – trata-se aliás de um poeta que se exprime compulsivamente, por necessidade interior. O que interessa é a probidade, o fazer operário, a incansável entrega a um labor. Chega um crítico (que ainda por cima é poeta) e sob a pressão do espaço e do tempo faz um fresco ligeirinho.
O crítico parece dizer bem, mas manifesta várias desatenções e algum desconforto, ilustrado em pequenas farpas cirúrgicas, aqui e ali, que fazem pensar se o crítico não escreveu apesar de si próprio, arreliado pela persistência do autor, um moscardo flamejante que zumbe e desassossega.

Falo de Amadeu Baptista, que saiu com uma antologia pessoal de 260 páginas, Antecedentes Criminais / Quasi, 2007, e da crítica que lhe fez Eduardo Pitta no Público, no dia 8.
Vamos aos factos. Escreve Pitta: «escrevendo sobre Negrume, de 2006 – livro que esta antologia recupera na íntegra -, um ensaísta exigente como Luís Adriano Carlos  sublinhou a “dilaceração tumultuoso da consciência face à contradição quotidiana de quem habita níveis existenciais não comunicantes”». Não sei o que pensará a exigência de Luís Adriano Carlos face ao deslocamento que o seu excerto sofreu do prefácio de Poesia Digital para uma suposta recensão a Negrume que nunca escreveu, mas os 25 anos do poeta pediam um bocadinho mais de rigor e não este artifício de escriba pressionado pelo tempo, pelo espaço, pelo seu imago.
Adiante, escreve Pitta: «Nenhuma ambiguidade perturba o discurso do poeta, que aconselho com proveito aos arautos do “real absoluto”. Por falar em real convém lembrar que uma das formas de que Amadeu Baptista se serve para o pôr em pauta tem que ver com enunciados de natureza sexual explícita, embora a parcimónia da actual recolha pareça desmentir a asserção. Do meu ponto de vista, livros como a Noite Ismaelita (2000) e A Construção de Nínive (2001) estão insuficientemente representados, por oposição a Arte do Regresso (1999) e Paixão (2003) mas uma antologia pessoal é o lugar por excelência da idiossincrasia, e seria fútil insistir na perspectiva do crítico». E seria fútil exactamente por reveladora das idiossincrasias do crítico, pois que acrescentar se A Construção de Nínive é publicado em Antecedentes Criminais na íntegra? Sentiu o Pitta falta de algum coito? Por outro lado, o texto dá a impressão de que A Noite Ismaelita é outro texto recheado de kamasutra. Ora, nos antípodas, é um livro quase místico de inspiração sufi e onde ao contrário do anterior não há alusão ao golpe e contra-golpe do sexo. 
Ademais, será legítimo fixar para um poeta tão plural uma imagem redutora e distorcida? O poeta adora sexo (e quem não?) e declara-o com à vontade e persuasão retórica. Usando a mesma veemência com que navega na infância, numa escrita contemplativa, na religiosidade, na pintura, na música: experiência estética de que dá amplo testemunho. A sexualidade explícita - já que estamos a falar em medidas - é uma parte ínfima da sua obra, dominada isso sim pelo erotismo, por uma sensualidade a que não se furta nem o seu (irregular) pendor místico. As coisas (o sagrado e o profano) estão nele tão interligadas que inclusive o poema que dá título a A Construção de Nínive (o tal da sexualidade “desenfreada”) é colocado (nesta antologia sem separadores, cortinas ou títulos de livros, como assinala Pitta) a anteceder os poemas de Paixão, um livro de inspiração bíblica, de modo a que possamos sentir a sua ressonância salomónica. Amadeu Baptista dá as chaves. O que não é habitual é um poeta manifestar-se num espectro tão amplo e isso, admite Pitta, chateia à «poesia de sabor único» (Pessoa) que hoje agrega tantos militantes.
Voltando a Pitta, lê-se: «Se tivermos de escolher uma palavra para caracterizar a obra de Amadeu Baptista, essa palavra seria catarse. Isso explicará o desacerto da recepção crítica, por oposição ao sucesso de obras “lisas”, isto é, não problemáticas.  Antecedentes Criminais prova que o ónus é equivalente à aspereza do discurso». Apesar do acerto de contrapor ao sucesso momentâneo da lisura de alguns a injustiça do relativo silêncio (comparativamente) a que a obra de Amadeu Baptista tem estado sujeita, pois dá muito mais trabalho a perspectivar, este parágrafo enferma de equívocos e lugares-comuns.
Primeiro, a catarse. Não se deve menosprezar a inteligência dos autores. Amadeu Baptista compreendeu cedo que a catarse é impossível ou é de um inacabamento que  enquistou na aporia. A sua é, sim, uma poesia pejada de pathos, mas não esqueçamos o papel de uma poderosa estratégia de fingimento que neste poeta propende a uma nunca referida pulsão dramatúrgica. Com outra propriedade escreveu Baptista-Bastos (um não poeta) sobre a antologia, quando a apresentou na Fnac: «O poeta fala de si para se aproximar das emoções do outro (...) Não é porém uma poética do testemunho, mas sim, a definição, muito singular, da nossa posição existencial (...) no seu bojo, contém-se uma subtil convocação da experiência – e da experiência tornada consciência.» O que se amplifica na seguinte advertência de Deleuze «Escrever não é contar as lembranças, as viagens, os amores, os lutos, sonhos e fantasmas. Ninguém escreve com as suas neuroses. (...) A literatura só se afirma se descobre sob as aparentes pessoas a potência de um impessoal.» Daí que Amadeu consiga ser blasfemo e perseguir o sublime, consiga ser metafórico e descritivo, ser subtil e ser directo, capaz de moldar-se ao soneto e de expandir-se no poema longo: a sua experiência de escrita trasladou o vivido para a orbe de um impessoal, e agora joga com os géneros. Quanto à sua ‘neurose’ é a mesma que demanda Bernardo Soares quando aspira a “ver o polícia como Deus o vê” – lugar onde a catarse é de há muito uma categoria abandonada. Pode ser sido até pretexto mas já não é de todo o seu telos.
Segundo, não há em Amadeu Baptista aspereza de discurso, há é temas que exigem uma linguagem menos pura, menos poética – ainda que pareça paradoxal, às vezes o não-poético é o mais poético.
Por fim, uma afirmação com ar de ditame, sobre a propensão de Amadeu para o poema longo: «Rosto Soberano (...) dá a medida da especial apetência do autor pelo discurso torrencial, com os riscos correlatos da metaforização, da acumulação de materiais e do eco retórico que uma e outra produzem. Prefiro o registo vigiado dos sonetos, mais conformes a uma prosódia segura». Não interessava antes saber se, corridos os riscos correlatos, o autor leva a tarefa a bom porto, em vez da preferência do crítico? Os textos longos funcionam e resultam, são desenvoltos, arejados, mantêm a tensão da escrita, ou não? O que é uma prosódia segura? Mede-se tal pelo menor quociente de riscos? Se Amadeu demonstra ser capaz de pequenas escaramuças (a prosódia segura), que pode impedi-lo de empreender grandes batalhas? O sentido de medida do crítico? Segura no mesmo sentido em que uma mãe galinha diz ao seu filho que não deve sair à rua? Será um crime, adquirida a técnica, preferir os riscos ao capitoné da prosódia? A poesia deve ser analisada a partir do que é e expõe ou a partir de um suposto dever ser e de moldes pré-formatados? Tenho de aceitar Ungaretti contra Pere Gimferrer? Larking contra Ted Hughes? O fito é reduzir, em vez da abertura? Ora, um poeta conciso e breve como Eduardo Pitta devia saber que só tem fôlego quem pode.
Pitta saberá que eu sei que escrever para os jornais leva a precipitações (e nos jornais pensa-se que se explica a física quântica nos mesmos caracteres com que se anuncia um estrangulamento por ciúmes na Rua do Norte), a confiar-se demasiado na opinião (primeiro passo para a idiotia, pecado que foi também o meu tantas vezes), mas como poeta compreenderá que uma obra que levou 25 anos a erguer não devia ser observada com olhos de sono.»

Valerá a pena, a 10 000 km de distância, abrir o debate no seio da teia instalada para a recepção e o condicionamento da poesia portuguesa actual?
Provavelmente é um gesto suicidário, sobretudo quando se acabou de lançar um livro que espera por leitores, mas, neste exílio, percebo que não posso consentir que me coarctem os direitos. E estes passam pelas virtualidades de uma prática poética e de uma leitura das suas respectivas densidades algo arredias ao que se tornou dominante em Portugal. Instalou-se uma preguiça mental e uma estreiteza de horizontes que paulatinamente afeiçoam o leitor a formatos pré-definidos de pensar e de acomodar a expressão. O fascismo, diria até. A grande questão está contida nesta formulação de Salah Stétié: «O testemunho na circunstância, digo: na poesia, não é feito senão de palavras e é esta mesma a sua principal fragilidade, aos olhos daqueles, os mais numerosos, para quem a palavra é uma forma melhorada do nada. Para os outros, entre os quais alguns poetas que nós colocamos no topo da nossa estima, a palavra é uma forma, penosamente diminuída, da totalidade pressentida». (L’interdit, 93, José Corti)
Para quem considera a palavra «uma forma melhorada do nada» a poesia aparenta-se à decoração ou, nos casos mais ‘sérios’, a uma ourivesaria com um ofício expresso em medidas mensuráveis. Daí que tão facilmente se caia na tentação de definir parâmetros. Tudo em nome de um retorno ao “realismo”.
Depois não me admito como poeta “a quem se consente”. Só a minha solidão e a sua zona de laminação me guiam: não porque entenda a arte e a poesia como espaço sacrificial mas porque no limite há uma longitude de destino que me desobstrui – dom que é gratuito mas exige um preço a que não quero nem posso furtar-me. Sob risco de tudo se tornar decoro e venalidade.

 
14 de Julho
Claro que ninguém responde ao meu texto endereçado ao Pitta. Nem o próprio.
“J´habite l’exterieur d’un anneau”, Paul Claudel: tão próximo de âne.

 
15 de Julho
Extraído da Autobiografia, de Zao Wou-Ki, grande pintor chino-francês, presença determinante da Escola de Paris, dos anos 50 e 60, e amigo de Michaux: «(sobre a sua infância)
...os generais decapitavam e colocavam as cabeças à entrada da cidade – cabeças que pintavam metade em verde,a outra em vermelho. Como todas as crianças qua saíam da escola, empurradas pela multidão ao primeiro tumulto, eu assisti a uma execução. Não se podia recuar, era-se obrigado a olhar. Adormeci durante muito tempo, aterrorizado pela visão dessa cabeça rolando sobre o solo, cujo sangue espirrava de todos os lados.
Esta época foi terível. Havia suicídios entre os mais pobres, que não conseguiam sobreviver e vendiam os seus filhos no caminho da escola. Não eram incomuns os enforcados...»
Depois disto nunca se fará uma pintura realista. Seria absolutamente desumano.

 
16 de Julho
Quiasma: a acrescentar ao meu catálogo de palavras que usarei invariavelmente a contrapêlo. Tão próximo quiasma de quiabo.

 
17 de Julho
A falta de electricidade é que cumpliciou afinal a vontade dos medíocres à inveja de alguns, no caso da condenção de Sócrates. A deliberação ocorreu em duas sessões. Na primeira, segundo Xenofante – citado por Luciano Canfora no notável Um Ofício Perigoso/ A Vida Quotidiana dos Flósofos Gregos – “parecera prevalecer o bom senso; mas o grupo que batalhava pela condenação soube evitar uma decisão imediata, dizendo que naquela noite não se podia votar porque não havia luz suficiente para que se distinguissem as mãos erguidas dos votantes. Entretanto trabalharam da melhor maneira que puderam para influenciar a sessão seguinte com alguns lances de teatro”.
Concluindo, Sócrates que na distorção da dialéctica – Sócrates, em todos os diálogos, é quem determina as regras da discussão, vantagem que não se deve menorizar – invariavelmente comandava a luminotecnia foi “comido” pelas sombras chinesas. 

 
18 de Julho.
Pessoa morreu aos 47 anos, roído como as borrachas que a minha filha entrega desleixadamente ao consolo do cachorro, e eu sinto que renasço aos 48, como se pela primeira vez na vida reunisse as cartas necessárias a um poke de ases. Quanto tempo me deixará a vida progredir neste estado de exaltação nupcial? Algumas doenças perseguem-me e os alicates do inexorável nunca se fecham. Mas talvez seja possível diferir, o intervalo necessário à decantação deste meu novo estado numa visão. Não muito, apenas o tempo necessário – se me é permitido pedir.
 

20 de Julho de 2007
Bilene, um espaço paradisíaco para ler, escrever, acabar um livro. Belo jardim à Simenon, que se espraia pelos fundos da casa em que me coube passar uma semana de repouso, depois da violência de ter tido de escrever uma série de ficção para televisão de sete episódios em 15 dias (enfim, só metade, o que convulsionei do argumento já existente, mas a mudança foi  absolutamente geológica o que exigiu uma reescrita total).
Leio de Paz: «O presente é perpétuo/ Os montes são de osso e são de neve/ estão aqui desde o princípio/ O vento acaba de nascer/ sem idade/ como a luz e como o pó (...)». Mas será assim? Nascerá o vento a cada instante, sem antecedência nem sombra platónica? Nietzsche gostaria.
Variante de Paz:
na tua cama/ éramos três:/ eu tu e o vento.  

 
25 de Agosto de 2007
Simpático convite para botar faladura num congresso internacional sobre a Zambrano. Será que isso permitirá um salto a Lisboa? Pensando meia-hora sobre o título da comunicação e o tema da mesma, a minha intuição chega a estas prerrogativas: título, Zambrano: as imaginações do oráculo; tema: «Na coincidência entre ser e linguagem entre acção e devir, receptáculo e reminiscência, nesse para-além da linguagem que suplanta as representações, e que tem nos «sonhos monoeidéticos» o seu operador, Zambrano desenha uma trajectória que a aproxima da imaginação criadora de Ibn´Arabi – à luz da exegse de Henry Corbin – e da “não-dualidade” do  Advanta. Esboçar estes paralelos com algum rigor e deixar entrevistas as suas consequências é o movimento que nos motiva.»
Pode ser este o artigo que me faltava para fechar o livro de ensaios?

 
29 de Agosto
Conferência de Fotocópias: lê-se num letreiro num notário de Maputo.

 
19 de Setembro
Afinal, reza a última moda entre os paleontólogos, os dinossauros não buliam com os refreados nervos dos mamíferos (os placentários, segundo o artigo). Ninguém empatava ninguém naqueles tempos coruscantes, de pavio tão curto. Há hoje indícios, asseguram, de que o que aprenderamos sobre a incompatibilidade entre dinos e mamíferos é falso. Os chineses apresentam inclusive fósseis de um mamífero do Cretáceo que se alimentava de dinossauros, o Repenomanus. Convenhamos que é nome que o desvelo de uma vovó dinossaúrica pode apontar como Papão aos netos. E sei finalmente de onde extraiu Shakespeare o espírito peçonhento de Iago, o qual, segundo as novas correntes paleontológicas podia perfeitamente cuidar da higiene dentária dos T.Rex, seus irmãos na floração do sangue.
No mesmo jornal, leio:
«Dois minisubmarinos russos fizeram domingo último uma jornada inédita, ao mergulhar até uma profundidade de 1,3 quilómetros sob o gelo do Oceano Galacial Ártico, como preparativo para uma expedição rumo ao leito do mar, nunca antes visitado pelo Homem.
‘Esta foi a primeira vez que um submersível foi usado por baixo da camada de gelo do Ártico e (o aparelho) provou ser capaz de fazer isso’, disse Anatoly Segalevich, piloto de um dos minisubmarinos que levam apenas um tripulamte cada um.»
O silêncio que enfrentará um pequeno submarino sob as calotes de gelo é inimaginável, capaz de remover as coordenadas de uma mente, o seu precário equilíbrio. Nesses limites, os monstros da interioridade abissal galgam facilmente os picos da consciência mais moderada, da mesma forma que a ausência de gravidade leva a que os astronautas percam massa óssea.
Trabalhos danados a que os poetas hoje se furtam, pobres antenas de uma civilização encaramelizada que, dizia Michaux, inventou jogos e desportos onde não se arrisca nada.

 
26 de Dezembro
Voltei a fazer merda e a não telefonar às minhas filhas no Natal. Elas ficam sempre tão magoadas com isto. E eu não consigo deixar de ser miseravelmente egoísta e a não querer superar (por elas) o pânico de me encontrar convulso ao telefone quando lhes ouvisse a voz e soubesse que há pouco a dizer porque a distância, iniludível, vai roendo os códigos da intimidade.  
Que cobardia, somos sempre indignos para alguém.
 

27 de Dezembro
Diziam os chineses, escreve Kenneth White, que para “agarrar” a verdadeira poesia é preciso encontrar-se face a face com um homem vivendo a três mil quilómetros de nós.
Eu meti-me a dez mil. E se reencontrei a poesia, temo, por vezes perder a memória, atolar-me no desprendimento que convoquei.

 
29 de Dezembro
Na esplanada da Colmeia, a tasca onde sempre abanco depois de umas horas de aulas, ouço uma discussão de jovens sobre filosofia – coisa raríssima nestes lugares – e um deles avança com um argumento devastador para firmar a (palavras dele) ‘superioridade dos filósofos’: «nunca vi num jornal o anúncio de um filósofo a auto-publicitar-se».
O que gostaria de ter à mão o Banquete, de Platão, para lhe ler esta passagem: «Aristodemo escutou-me que encontrara Sócrates quando este saíra do banho, calçando umas sandálias, o que não era seu costume, e perguntou-lhe onde ia, assim tão bem arranjado».
O que gostaria de ter à mão o Steiner para lhe ler a sua sugestão de que tudo o que importa na vida não se traduz em valores cambiáveis.
Ainda bem que não tinha o arsenal comigo senão teria tido a tentação de me meter na conversa e de dar gasolina à combustão daquele pobre rapaz. Devemos ser muito prudentes de modo a não induzir ninguém a abraçar a nossa escolha: a de um perdulário que desbarata a sua inteligência na pobreza.

 

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