Tenho-me mantido um pouco alheado das questões em torno do Acordo Ortográfico, pelas razões que explico em baixo, no excerto duma entrevista que me fizeram no Brasil:
«O que você acha do acordo ortográfico e da chamada lusofonia?
O acordo não me ofende nem me arrefece. Como dizia o Deleuze há que gaguejar na língua para que a língua no seu próprio interior se torne bilingue, isto é, cito-o, o multilinguismo não é apenas a posse de vários sistemas mas antes de tudo a linha de fuga ou de variação que afecta cada sistema impedindo-o de ser homogéneo. Isto que sublinho é o que me importa no manejo de uma língua, é o que sempre foi feito por alguns e é o que continuará a ser feito, e isto não há acordo que o impeça. Agora, há o aspecto político da questão e aí é claro que o acordo existe para favorecer a indústria do livro brasileira, o resto são balelas.»
Mas agora, por via da Julieta Duarte, li um artigo de Hermínio Castro e fiquei convencido de que até pelo adestramento da língua nas possibilidades do palato - malabarismo estético de que não nos devemos alhear - há todas as conveniências em mantermos o nosso arcaísmo.
Não nos convém nada confundir o ovo estrelado e o pinto.
Não nos convém nada confundir o ovo estrelado e o pinto.
POR ISSO ADIRO RESOLUTAMENTE AO NÃO AO ACORDO AUTOGRÁFICO e estarei disponível para o que os meus amigos quiserem em termos de militância.
E produzo já o primeiro slogan de combate:
«FODER É EM SI MESMO A CONSOANTE
MUDA QUE BATE AS VOGAIS EM CASTELO!»
