Recebi hoje de manhã, por mail, a carta, que transcrevo em baixo, do escritor e antropólogo José Pimentel Teixeira e que ele endereça à direcção do semanário Expresso, a propósito da notícia que nela se discute.
Manifesto aqui a minha igual dúvida sobre a oportunidade e a pertinência da notícia, dado o actual contexto político-social que é vivido pelos emigrantes residentes em Moçambique (ou também em Angola).
Tudo o que sublinhei na carta de Pimentel Teixeira é exacto - e ele, nos últimos meses, tem sido dos primeiros a desdramatizar em vários postais, no seu Ma-schamba, o ambiente que se vive, sobretudo em Maputo, deitando água na fervura de algumas reportagens mais sensacionalistas que em Portugal têm saído sobre Moçambique. Contudo, esta "pérola" era desnecessária, ou reflecte um sentido de responsabilidade algo ambíguo.
Tanto destaque dado a revelações tão pífias! Há algum desajuste entre a necessidade de resguardar o direito de informar a todo o transe e o efeito pernicioso que uma coisa "tão pouca" causa sobre os portugueses que cá vivem.
Mas leia-se a carta do José Pimentel Teixeira:
«Para: Director do jornal Expresso
Acabo de ler a notícia publicada pelo Expresso sobre a colaboração dos serviços de informação portugueses e os seus homólogos americanos, bem como a comunicação da direcção do jornal subscrevendo essa notícia e reafirmando o seu conteúdo.
Não é preciso ser um grande leitor de Le Carré para acreditar nisto. Não é preciso ser muito atento para comentar essa vossa notícia com um "isso é notícia?", no sentido de questionar a sua novidade, a sua urgente actualidade.
Sou português e vivo há 17 anos em Moçambique. Para além dos problemas económicos e sociais que o país vive nunca, como desde meados de 1990s, quando o conheci, se assistiu a uma situação tão tensa, política, militar e criminalmente. E nunca como agora se assistiu a uma campanha pública, mediática, com utilização de argumentações racialistas e racistas tão exarcebadas. Para além disso recuperou-se a utilização de algum anátema sobre os portugueses residentes. Tudo isto é público, e com toda a certeza do conhecimento do pessoal de um jornal com a dimensão do Expresso.
A notícia em causa, do seu jornal, li-a ecoada por moçambicanos. Provocando imediatos, evidentes, e até compreensíveis, ditirambos contra nós.
Os critérios sobre o que é notícia, o que é relevante, o que é novidade, o que é urgente, o que é inultrapassável, são seus, e da equipa que dirige.
E com toda a certeza lhe serão indiferentes os efeitos explícitos e implícitos de uma notícia destas, aparentemente sonante mas que é apenas uma coisa morna que serve para a resmunguice interna. Efeitos sobre os seus compatriotas que, sem terem nada a ver com isso, estão a cruzar este momento aqui. E que vivem num contexto em que essa "morna" caixa que aí arranjaram, e V. coordenou, tem ou poderá ter outra temperatura e efeitos bem mais duradouros.
Isto diz muito mais sobre si, director do Expresso, e sobre o seu colectivo, do que sobre as trocas de informação entre serviços de informação de países aliados. Diz, evidentemente, muito mal.
Em termos nacionais, algo que ainda é de prezar, o que V. mandou ou permitiu fazer é uma malevolência.
E, creio, num país distraído como o nosso ninguém lho dirá. Até lhe aplaudirão a pertinência.
É esse o (nosso) mal.»
Creio que da parte do Expresso e da sua direcção houve apenas alguma incúria causada pelo desconhecimento do território. O problema é que estes deslizes se repetem na comunicação social portuguesa, que não entendeu ainda as particularidades de se lidar com uma ex-colónia.
Para se entender melhor o dano e a que ponto as coisas estão quentes coligi alguns comentários à notícia escritos no site do diário O País, de Maputo, só de ontem para hoje, e teremos de ter em conta que estes comentários são produzidos pela élite urbana de Moçambique, por aqueles que têm acesso à net, sendo na sua maior parte gente de nível médio/universitário:
Top of Form 1
Bottom of Form 1
Essa é uma situação extremamente complicada o nosso ministro dos Negócios estrangeiros no quadro das suas competências devia convocar o Emabixador de Portugal a explicar-se sobre o assunto, mas a mim essa informação não me expanta nem tão pouco, só espero que algumas pessoas percebam que estamos num mundo glabalizado e todos querem tirar ganhos de todos, sinto pena de Portugal estar a colaborar nessa espionagem numa altura destas em que precisa de África pra sobreviver e particularmente de Moçambique e Angola como grandes parceiros de Negócios, África tbm deve aprender de uma vez por todas que deve se unir pra sobreviver neste Globo.
antoniodacosta.oliveira (com sessão iniciada através de yahoo)
PORTUGUESES, PARASITAS DE MERDA, FILHOS DA PUTA. QUE DEIXEM EM PAZ A AFRICA, RESOLVEM OS PROBLEMAS DO VOSSO RECTANGULO MISERAVEL, QUE AFUNDOU-SE NO MAR DE MERDA.
e ironico neste momento tarmos aqui a chamar de "brancos exploradores" no entando usamos o facebook mesmo para comentar neste jornal, facebook que ta sempre a partilhar informacao com a nsa, facebook um site 110% americano, aonde todas nossas fotos informacoes e chats, sao automaticamente guardados nos servidores do NSA e CIA..... por isso pessoal.... nao podemos virar as costas para realidade do mundo....tamos na era da Globalizacao aonde todo mundo usa e ajuda aproveita explora..... todo mundo...
Seus vermes, mortos de fome, portugueses de carralho de merda, pensam o que? Mocambique e nosso e independente! Podem fornecer todo tipo de informacao que voces quiserem e a quem quiserem, aqui ja nao tem nenhuma chance de recolonizar. Que se lixem com a vossa pobreza e nos deixem em paz seus fantoches!
Filhos da Pu**** desses tugas e de todo esse bando de exploradores. . .se eu fosse o PR cortava as relações com esses culh***** e lhes mandava passear.
Olhando para esta situação, Robert Mugabe fez bem em mandar embora os Ingleses, suspender vistos dos portugueses é um pouco de exagero, mas temos que rever as relações diplomaticas com estes Portugueses falidos. Unico investimento valioso que portugal tinha era HCB, se Angola deixar de investir em Portugal, vão para banca rota. Mal criados!!
ABUSO DE CONFIANÇA E DE PREPOTÊNCIA DE PORTUGAL. MOÇAMBIQUE TEM QUE ACCIONAR MECANISMOS PARA PEDIR ESCLARECIMENTOS. MOÇAMBIQUE JÁ NÃO VOSSA COLÓNIA, MAS PAIS SOBERANO. SEUS ABUSADOS.
estes tugas do raio , estao a dar uma de grandes investigadores , pobres do raio , nao vao entrar mais em moçambique e os que ca estao terao vida negra ate voltarem a terras lusa , macacos .
E QUANDO VOS DAO ALGUNS DOLLARS DIZEM: "OS NOSSOS AMIGOS PORTUGUESE". O AMIGO DO AFRICA FOI E SEMPRE SERA O AFRICANO, E TODOS OS BRANCOS, NAO INTERESSA DE QUE PAIS SAO IGUAIS, UNIDOS E SEMPRE JUNTOS LUTAM CONTRA O DESENVOLVIMENTO DE AFRICA ABERTA E CLANDESTINAMENTE. O QUE FUNCIONA AQUI, OS AFRICANOS PRECISAM PERCEBER QUE E A COR DA PELE E NAO A AMIZADE. OS BRANCOS TODOS SAO EXPLORADORES DOS AFRICANOS. ACORDEM POVO!!!!
Jossias, o complexo e' deixar passar. quem nos explora sao os brancos. nao leste qual e' a receita do governo nos recursos naturais? a FMI, BM, e' k deixam nos nesse estado onde estamos. o governo e' culpado pk aceita assinar esses contratos desvantasojos mas sabes k os lideres africanos k nao se identificam com o neocolonialismo e exploracao sao julgados no TPI . abra a vista, o problema nao sao os lideres ou o governo mas sim o sistema. esta ai Zimbabwe e Africa do sul para perceber o k esta acontecendo Mugabe era o lider icone para os europeus mas quando decidiu levar a terra das maos dos brancos que reprentam a minoria deixaram o pais numa crise de tirar lagrimas. EUA e Europa dizem k se A Africa nao aceita homossexualismo vao cortar as doacoes. nao ves k nao temos nenhum poder mesmo?
Cuidado... Nós, temos a dor dos nossos avos. Independentes africanos nao expulsaram esses pra darem mais oportunidades. Respeitem no vosso hino
1HYPERLINK "https://www.facebook.com/raimundosilvestre.bucuane"Raimundo Silvestre Bucuane Espero k a relacao luso-mocambique termine mais rapido possivel pk isso é uma traicao
Eu como estou entretido a passar para mp3 tudo o que encontro de Takemitsu e de George Crumb no Youtube, e pouco saio de casa, creio que estarei mais a salvo da agressividade que os meus compatriotas operários sofrerão na pele, entre bocas e feios soslaios. Esperemos que a coisa não degenere nuns calduços - que a violência anda à flor de todas as oportunidades.
E preocupo-me com tranquilidade das minhas filhas que todos os dias têm de atravessar a cidade para ir e vir da escola.
Moçambique, para quem ainda não percebeu, não é só praias e palmeiras. Tem também a rudeza da foto que pus em cima, e a sua paisagem humana é sensível aos conflitos latentes que, por estes dias, estão ao rubro.
Escusamos é de pôr lá lenha.
